
O titulo e a imagem são retiradas do blog do meu filho Pedro.
Que condição faz que monges troquem a eternidade pela imortalidade? a vida contemplativa pela vida activa?
A contemplação pressupõe uma procura do eterno ou uma fusão com o que não se nomeia. Nesta busca, toda a actividade, mesmo a do pensamento, ou devo dizer sobretudo a do pensamento (?), são um escolho uma barreira que se coloca entre o nosso ser físico e o nosso ser etéreo e entre este e o não-ser.
A vida activa pressupõe estar entre os homens. Nós portugueses, como os romanos, continuamos a dizer quando alguém morre: "Já não está entre nós". Arendt sintetisa isto duma maneira luminosa quando assume que a condição humana da acção é a pluralidade e a acção funda corpos políticos. Na tradição clássica greco-romana pelas palavras/diálogo e feitos/acção se podiam tornar os homens imortais pressupondo a existência duma narrativa e duma memória dessas mesmas palavras e feitos como condição da própria polis.
A pergunta que fazemos no inicio é ela própria questionável. Nada nos indica que os monges budistas birmaneses tenham abandonado a vida contemplativa sabemos é, seguramente, que abraçaram a vida activa e a politica naquilo que esta tem de mais luminoso. Não sabemos se superaram a aparente contradição entre vida activa e contemplativa mas quando olho a fotografia e os vejo protegidos por um cordão de pessoas, quando nos filmes que nos chegam de Burma vejo as pessoas ajoelhando à sua saida dos autocarros não consigo deixar de me emocionar com o sagrado e com a política. É muito cedo para avaliar os resultados dos acontecimentos e os seus impactos e leituras políticas dentro e fora de Burma. Falamos do processo, e esse é exemplar para todas as comunidades religiosas do mundo, para todos os cidadãos do mundo.
May Gods be with Burmese Monks!