Quinta-feira, 10 de Julho de 2008

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Henri LefebvreThe (social) production of space

Lefebvre has dedicated a great deal of his philosophical writings to understanding the importance of (the production of) space in what he called the reproduction of social relations of production. This idea is the central argument in the book The Survival of Capitalism, written as a sort of prelude to La production de l’espace (1974) (The Production of Space). These works have deeply influenced current urban theory, mainly within human geography, as seen in the current work of authors such as David Harvey and Edward Soja. Lefebvre is widely recognized as a Marxist thinker who was responsible for widening considerably the scope of Marxist theory, embracing everyday life and the contemporary meanings and implications of the ever expanding reach of the urban in the western world throughout the 20th century. The generalization of industry, and its relation to cities (which is treated in La pensée marxiste et la ville), The Right to the City and The Urban Revolution were all themes of Lefebvre's writings in the late 1960s, which was concerned, amongst other aspects, with the deep transformation of "the city" into "the urban" which culminated in its omni-presence (the "complete urbanization of society").

In his book The Urban Question (translated into English very early, in contrast with Lefebvre's works), Manuel Castells heavily criticizes Lefebvre's theoretical arguments contained in the books published in the 1960s about the contemporary city from a Marxist standpoint. Castells' criticisms of Lefebvre's subjective approach to Marxism echoed the Structuralist school of Louis Althusser, of which Lefebvre was an early critic. Many responses to Castells are provided in The Survival of Capitalism, and some may argue that the acceptance of those critiques in the academic world would be a motive for Lefebvre's effort in writing the long and theoretically dense The Production of Space.

In The Production of Space, Lefebvre contends that there are different levels of space, from very crude, natural space ('absolute space') to more complex spatialities whose significance is socially produced ('social space').[9]

Lefebvre's argument in The Production of Space is that space is a social product, or a complex social construction (based on values, and the social production of meanings) which affects spatial practices and perceptions. As a Marxist philosopher (but highly critical of the economicist structuralism that dominated the academic discourse in his period), Lefebvre argues that this social production of urban space is fundamental to the reproduction of society, hence of capitalism itself. Therefore, the notion of hegemony as proposed by Antonio Gramsci is used as a reference to show how the social production of space is commanded by a hegemonic class as a tool to reproduce its dominance.

"Social space is a social product - the space produced in a certain manner serves as a tool of thought and action. It is not only a means of production but also a means of control, and hence of domination/power."

Lefebvre argued that every society - and therefore every mode of production - produces a certain space, its own space. The city of the ancient world cannot be understood as a simple agglomeration of people and things in space - it had its own spatial practice, making its own space (which was suitable for itself - Lefebvre argues that the intellectual climate of the city in the ancient world was very much related to the social production of its spatiality). Then if every society produces its own space, any "social existence" aspiring to be or declaring itself to be real, but not producing its own space, would be a strange entity, a very peculiar abstraction incapable of escaping the ideological or even cultural spheres. Based on this argument, Lefebvre criticized Soviet urban planners, on the basis that they failed to produce a socialist space, having just reproduced the modernist model of urban design (interventions on physical space, which were insufficient to grasp social space) and applied it onto that context:

"Change life! Change Society! These ideas lose completely their meaning without producing an appropriate space. A lesson to be learned from soviet constructivists from the 1920s and 30s, and of their failure, is that new social relations demand a new space, and vice-versa."

WIKIPEDIA

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Terça-feira, 20 de Maio de 2008

A Cidade de Deus

“Assim como na Cítara, nas flautas, no canto e nas próprias vozes se deve  guardar certa consonância de sons diferentes, sob pena de a mudança ou a discordância ferirem ouvidos educados, e tal consonância graças a combinação dos mais dessemelhantes sons, se torna concorde e congruente, assim também igual tonalidade na ordem política admitida entre as Classes alta, média e baixa suscitava o congraçamento dos cidadãos. E aquilo que no canto os músicos chamam harmonia era na cidade a concórdia, o mais suave e estreito vínculo de coexistência em toda a república, que sem justiça, não pode em absoluto subsistir.”


Santo Agostinho, A cidade de Deus

O Plano Tecnológico Nacional, Cultura e Inclusão

José Carlos Zorrinho o coordenador  do Plano Tecnológico falando sobre o tema Sociedade de Informação e Redes Competitivas na Faculdade de Letras na Universidade de Lisboa em 19 de Maio revelou dois aspectos importantes e menos óbvios do Plano, a saber,

1. Que os aspectos da justiça social e da distribuição da riqueza não fazem parte das preocupações do Plano.

2. O sector da Cultura e das chamadas Industrias Culturais não foi considerado devido à sua incipiência e fragmentação.

Começo pelo segundo aspecto. José Carlos Zorrinho apresenta o Plano Tecnológico como uma narrativa assente na natureza de ser português. Esta aproximação é evidentemente uma inovação relativamente a uma visão tecnocrática de definição de grandes objectivos estratégicos para o país. Se não pusermos em causa se o governo viu bem os elementos relevantes da nossa identidade ou se são lugares comuns que pelo contrário a obscurecem, teremos de louvar que seja esse o ponto de partida. Mas se o Plano Tecnológico se assume como uma narrativa importa saber qual a  legitimidade do narrador.

A identidade duma comunidade está assente na sua memória e naquilo que, da sua história, essa comunidade destaca como relevante: a narrativa sobre o seu passado. Mas a identidade é sobretudo presente e forja-se na alteridade: uma narrativa sobre nós próprios em relação ao outro ao que nos diferencia. A terceira componente da identidade prende-se com o futuro que é também a dimensão da promessa e do compromisso: uma narrativa mobilizadora sobre as possibilidades duma comunidade no futuro.

Quando se assume o Plano Tecnológico como narrativa o ênfase está naturalmente no futuro mas as outras duas componentes de narrativa de presente e passado estão subjacentes. A eficácia e mesmo a fecundidade duma narrativa mede-se pela sua capacidade de mobilização e esta por sua vez depende da maneira como nos sentimos "representados" na narrativa.

A eficácia do  narrador do Plano Tecnológico, a capacidade de mobilização do governo para os objectivos e desafios nele contidos está dependente da forma como os portugueses se vêm representados na narrativa. Dependem de o plano ter sido feito "de baixo para cima" ou "de cima para baixo".

António Ferro, Director do Secretariado Nacional da Propaganda mais tarde Secretariado Nacional da Informação (SNI) de Salazar foi responsável pela maior revisão histórica portuguesa do sec XX. O revisionismo cultural de Ferro que servia naturalmente as necessidades políticas do regime não caiu com o 25 de Abril e as permanências assumem hoje a forma dos lugares comuns sobre a nossa identidade.

O Plano Tecnológico e a Estratégia de Lisboa é uma oportunidade perdida de rever os lugares comuns e ao mesmo tempo criar uma narrativa mobilizadora.

As desconsideração da dimensão cultural ancorada na fragmentação e incipiência do sector, coisa que justificaria a política oposta, revela uma significativa miopia política relativamente ao impacto do sector cultural na criatividade e inovação nas sociedades contemporâneas o que seria passável se o Plano se assumisse como um exercício tecnocrático de pensar o futuro de Portugal num mundo global. Considerado como uma narrativa a ausência da cultura faz do Plano Tecnológico  um produto errado na embalagem certa.

O mesmo espírito parece estar presente na abordagem das questões de justiça social. Como fazer um programa para a competitividade sem abordar as questões da distribuição da riqueza e da inclusão? Num mundo cada vez mais globalizado, numa Europa que envelhece devido a uma taxa de natalidade inferior à da mortalidade, num Portugal que se quer pensar numa escala da Lusofonia a questão  da inclusão e do diálogo intercultural é central. O "outro" é uma oportunidade  ou  uma ameaça, cidadania e negociação de espaço público fazem a diferença. Esta questão política central reconduz-nos às questões culturais de que falámos antes. Diversidade gera criatividade e esta gera uma cultura vibrante e cidades e economias competitivas. O nosso plano tecnológico passando ao lado disto parece deitar fora o bébé com a água do banho.



Domingo, 20 de Abril de 2008

Sobre a violência e o Movimento Esperança Portugal - MEP


















Nos ultimos dias tem-se falado muito de violência. Os cidadãos têm uma expectativa, justa, que a polícia e a justiça sejam capazes de agir para dissuadir a violência e para a reprimir. Consideramos muitas vezes, que o problema da violência é um problema sobre o qual não podemos fazer nada como cidadãos, compete ao governo resolver. Por outro lado existindo nas cidades territórios, guetos, que costumamos associar à criminalidade organizada e à violência, inferimos que se eliminarmos esses guetos eliminamos a causa do mal.

Todas estas observações têm a sua verdade mas enfermam do defeito de ver as coisas à superficie. Tentemos senti-las por dentro.

O desempenho no combate à violência é proporcional à informação que se detêm. Não se pode dissuadir nem reprimir a violência trabalhando às cegas ou duma maneira míope. Os territórios que estão fora da esfera e do espaço público, sejam eles guetos ou condomínios fechados, têm uma cultura de segurança especifíca, ou seja, privada. No caso concreto dos guetos o crime organizado procura através da apropriação dos meios de violência, assegurar as condições para o desenvolvimento do "negócio", o que pressupões a atracção de investimentos e de mão de obra qualificada. A mão de obra das actividades criminosas organizadas é recrutada na área de influência do "negócio" e funciona como sustento de pessoas ou famílias que doutra maneira não conseguem sobreviver. Sobre isto, funciona o efeito de demonstração: a situação de desafogo financeiro e dinheiro fácil conquistada por alguns, serve como exemplo para os outros. O conjunto é servido por uma narrativa "heróica" de exaltação de violência, uma cultura de violência.

No MEP quando falamos numa "mesa com lugar para todos", como elemento fundador da justiça e da procura do bem comum, não ignoramos a existência dessa "outra mesa". A mesa posta pela violência e crime organizados para os excluidos, desesperados e também para o lúmpen. Colocada a nível político "mesa com lugar para todos" é um espaço público, cultural e politico, de diálogo e acção. É a nossa Polis. Por isso diz respeito a todos os cidadãos como espaço público de liberdade. A violência que se sente nos territórios de exclusão e que pouco a pouco vai contaminando toda a cidade, é o resultado do recuo do espaço público. O resultado duma sociedade dual com o "lado de cá" e o "lado de lá" com um muro ao meio que obscurece o outro lado. A responsabilidade desse facto tem de ser assumida por todos e a solução passa por todos.

No MEP quando falamos em "cultura de pontes" falamos de "derrubar o muro", de construir na fronteira as condições do diálogo. Para isto temos de compreender que a cultura de purificação da cidade que pretende excluir o "outro" gera identidades de resistência e estas geram violência, que a injustiça na repartição da riqueza aproxima o "outro" da "outra mesa".
A melhor forma de combater a violência é através da negociação da esfera pública o que pressupõe que todos tenham voz e capacitação para a afirmar. Significa assumir a diferença como um ponto de partida positivo. Significa assumir o diálogo como acção política.

No MEP acreditamos na capacidade das comunidades locais discutirem e decidirem as questões que lhe dizem directamente respeito. Acreditamos na subsidariedade como elemento estruturante duma democracia representativa. As questões da violência que nós vivemos hoje dificilmente se resolverão mudando as leis ou os regulamentos a nível superestrutural. Temos de procurar soluções inteligentes que passem por uma responsabilização de todos. Comunidades fortes e coesas socialmente geram elevados níveis de segurança, a auto-regulação é a melhor forma de regulação em sistemas complexos. A polícia e os tribunais não podem olhar para os territórios de exclusão como "caixas pretas" onde só se vê o que entra e o que sai, mas não se sabe como funciona. Tem de existir proximidade e discernimento. Sem isso corremos o risco de que as medidas que forem tomadas, ainda que animadas de boa vontade, resultem no contrário do que pretendemos: Menos violência, Mais Justiça e Mais Cidadania.